segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Psicólogo Dionísio: Admitir o problema é o primeiro passo para o sucesso no combate ao alcoolismo

“Foi importante o fato de o ex-jogador Sócrates ter admitido em público o alcoolismo – mas também há críticas à postura do craque”, diz.

O alcoolismo pode ser considerado uma doença democrática. Nos últimos dias, o anúncio do internamento do ex-jogador Sócrates - que é formado em Medicina – chocou o país. Depois de vários dias em que se noticiava apenas o quadro de “hemorragia abdominal”, sem citar o alcoolismo, o jogador veio a público para admitir que o problema foi causado pelo hábito de beber. Segundo o psicólogo Dionísio Banazsewski, que há mais 20 anos trata pacientes com dependência química e alcoolismo, o fato de Sócrates ter admitido publicamente o problema pode ajudá-lo a enfrentar a doença.

Dionísio lembra que, quando a doença começa a apresentar sintomas físicos, o alcoolismo está em estágio avançado. Normalmente, os primeiros sintomas do alcoolismo são psíquicos – desenvolver uma certa dependência da bebida a cada vez que se enfrenta uma dificuldade, por exemplo. Nesse momento, o alcoolista internaliza a ideia de que precisa do álcool, como se ele ajudasse nos seus enfrentamentos.

Em seguida, os sintomas passam a ser comportamentais. O usuário começa a procurar motivos sociais para beber, como happy-hours, bares, diversões em grupo... Em casa, passa a beber para relaxar ou acompanhar refeições. Sem que perceba, estabelece-se uma relação profunda com a bebida, aumentando sua tolerância física, consumindo quantidades cada vez maiores e usando defesas psíquicas inconscientes, como a negação, a projeção e a racionalização, de forma repetitiva.

É comum que o usuário de álcool tenha dificuldade em expressar seus sentimentos e, assim, passe a se ‘soltar’ mais quando bebe. É por isso que algumas pessoas ficam mais emotivas, outras se retraem, ficam tristes, alegres, efusivas, prepotentes ou até agressivas, violentas. O problema, ao retraído, é que o álcool passa a ser o passaporte para a expressão de sua emoção, segundo o psicólogo, liberando conteúdos de complexos emocionais.

Nas declarações de Sócrates depois de deixar o hospital, é possível destacar pontos positivos, como principalmente o fato de ele ter admitido o problema, o que serve de exemplo para outros alcoolistas. Mas, segundo o psicólogo, é preocupante o fato de ele ter se declarado “ex-alcoolista”, pois a doença ainda é considerada incurável.

“A fase que ele está enfrentando ainda é um momento de confusão comum nesses casos, por isso ele não poderia se considerar ‘curado’. A tendência é ir melhorando nas próximas semanas, desde que ele permaneça em abstinência”, afirma.

Dionísio aponta como emblemática a forma como outro ex-jogador, Casagrande, tem enfrentado o problema da dependência química. Ele não só admitiu publicamente a dependência, mas também tem buscado apoio nos amigos, familiares e profissionais especializados, demonstrando humildade suficiente para lidar com as limitações que a doença impõe.

“Caso Sócrates siga o exemplo do amigo, poderemos ver em breve a retomada da grande dupla de atacantes dos anos 80, novamente com Sócrates e Casagrande como dois vencedores”, sentencia o especialista.

Nenhum comentário:

Postar um comentário